quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Você foi aprovado neste ano de provas?



Por Heber Dias de Sousa

A faceta mais marcante do ano de 2009 foi, sem nenhuma dúvida, a crise econômica mundial e seus desdobramentos. Paradigmas sendo reduzidos a menos que nada e fortunas descomunais simplesmente desaparecendo no limbo da ausência absoluta de credibilidade do sistema financeiro internacional. Um mercado febril que chegou a convulsionar em vários momentos causando pânico e falências em cascata levando milhares de postos de trabalho pelo ralo.

A humanidade foi submetida à uma prova sem precedentes na era conteporânea. Sem precedentes sim, porque com o nível de desenvolvimento tecnológico, acesso à informação e nível cultural mais elevado, os organismos internacionais não deveriam ter sofrido como sofreram. A humanidade terá sido aprovada neste grande teste a que foi submetida, ou em que se meteu?

Às vezes fica a forte impressão de que os povos simplesmente não aprendem com suas experiências pregressas. Em alguns aspectos, parece mesmo que sofremos um estúpido processo involutivo. O gênero humano insiste em agir com individualidade contrariando todos os indicativos que a natureza, seu berço, lhe aponta. Somos menos que formigas, abelhas ou, quiçá, uma matilha de lobos famintos que opera junto na provisão de sua sobrevivência simplesmente fazendo uso de seus instintos primitivos, mas sempre visando o bem do grupo. Até eles sabem que um indivíduo tem poucas chances de sobreviver sozinho.

Será tão difícil assim entender que o respeito ao próximo é absolutamente vital para a sobrevivência de qualquer espécie? Os ursos se alimentam dos salmões que regressam ao berço para se reproduzir, mas não exterminam sua fonte de subsistência. A própria cadeia alimentar, onde o mais forte se alimenta do mais fraco, não entra em desequilíbrio, desde que a espécie humana não interfira. O forte devora o mais fraco, mas não o extermina. Muito pelo contrário, apenas lhe proporciona o devido controle populacional necessário à perpetuação daquela espécie. O conceito mais elementar de sustentabilidade é exercido de forma natural e sem traumas na natureza.

Fico imaginando cá com os meus botões, quando será que vamos aprender a agir, no mínimo, de maneira sustentável. Mal acabamos de sair de duas grandes guerras e os povos ainda continuam se matando e produzindo genocídios em pleno século 20. As nações que não tem coragem de se enfrentar no tapa incentivam os conflitos locais e ainda lhes fornecem todo o aparato necessário para que eles se matem da forma mais bestial possível.

Respeito pelo mais fraco, pelo menos favorecido, por aquele que não teve as mesmas oportunidades na vida. Se ainda não conseguimos agir nem mesmo como os animais, quando vamos mostrar as "vantagens" da racionalidade do homo sapiens? O que se percebe é que quanto mais desenvolvido, inteligente e informado o homem se torna, mais irracionais são suas atitudes.

Essa divagação poderia consumir muitas páginas, mas vou ficando por aqui deixando apenas duas perguntas para nossa reflexão:

01 - "A quantas provas a humanidade ainda vai ter que ser submetida para aprender a agir como uma espécie que respeita os seu semelhante e as demais espécies que habitam este planeta e viver de forma sustentável?"

02 - "Até quando o ser humano vai continuar sabotando sua própria sobrevivência e a sobrevivência das demais espécies com tanta competência, em um suicídio coletivo lento mas, extremamente eficaz?"

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